Home / outros / Uma questão de (in)segurança 

Uma questão de (in)segurança 

imagem utilizada gerada pelo Leonardo.AI

Há algum tempo, tenho visto algumas reclamações sobre segurança em eventos e pensei em discutir alguns pontos. Boa parte do que direi é opinativo, baseado em observações e vivências de alguns anos, sem estar diretamente ligado a um evento específico, mas sim a uma somatória de experiências em diversos eventos ao longo dos últimos anos — e também à situação geral de nossas zonas urbanas, que agora se reflete em nosso microcosmo. 

Acho que um primeiro passo é separar as reclamações por “local” para analisar melhor os problemas e opinar sobre eles. 

🚶 Área externa 

Aqui estamos falando do lado de fora: arredores, fila antes da entrada, etc. 

Sempre é bom pesquisar sobre o local onde o evento está acontecendo. Infelizmente, muitos eventos são realizados em locais mais isolados — mesmo centros de convenções, escolas e salões podem ficar em ruas com pouca movimentação, longe de transportes públicos ou sem estacionamentos próximos (ou com valores abusivos durante o evento). 

O ideal é verificar o trajeto pelo Google Maps (descendo até o mapa para entender a região) e, se necessário, já planejar usar Uber ou 99 para ir do transporte público até a entrada. Uma alternativa é procurar grupos de cosplayers no WhatsApp e ver se consegue encontrar companhia para não ir sozinho(a) — principalmente na saída à noite. 

Outro problema comum é o golpe do brinde. Oferecem cards, chaveiros, revistas, jujubas etc. O modus operandi é sempre similar: colocam o “brinde” na sua mão e imediatamente pedem uma doação para “terminar a universidade” ou “ajudar uma causa”, dizendo que a média de doação é R$ X (geralmente acima do valor real do produto). Em alguns casos, há denúncias de coerção e até roubos.

Ambos os casos ocorrem fora do evento e são questões de segurança pública. O evento em si — ou a segurança contratada — não pode intervir nessas áreas externas. O segundo caso, especificamente, seria de fiscalização de venda de produtos, algo ligado à prefeitura (o velho “rápá”), que em geral não ocorre nos fins de semana. Mesmo em dias de semana, a organização teria que chamar e muitas vezes não teria muito efeito. 

O ideal é não segurar o “brinde”, desviar deles e entrar logo na fila, onde o grupo de pessoas faz com que eles sejam menos insistentes. Uma solução seria solicitar a presença da Guarda Civil Municipal, mas nem sempre isso é viável. 

imagem utilizada gerada pelo Leonardo.AI

🚪 A entrada 

Sempre que possível, veja as regras do evento com antecedência. E, aos organizadores: façam uma postagem clara sobre o que pode e o que não pode levar — isso facilita muito a vida da galera. 

Sei que o pessoal reclama de regras que parecem ilógicas, mas muitas vêm de outros anos e eventos, geralmente justificadas como questão de segurança ou exigências legais (embora alguns acreditem que sejam mais por economia). 

  • Aerossóis são proibidos na maioria dos eventos — não por medo de fogo, mas por poderem ser usados como “spray de pimenta” contra outras pessoas. 
  • Props de metal, semi ou afiados só podem ser usados no palco, devendo ser deixados em guarda-volumes até o desfile. 
  • Comidas e bebidas geralmente só são permitidas se lacradas e industrializadas, para evitar contaminação ou adulteração (quem nunca ouviu falar de bebida alcoólica no refrigerante?). Alguns, no entanto, acreditam que isso é feito para evitar “prejuízo” na área de alimentação. 
  • Certas vestimentas e cosplays podem ser proibidos por questões legais — lembram das meninas de toalha e o desenrolar na época? E, sim, cosplays de Tanya the Evil já foram proibidos em um evento que tinha estande da Crunchyroll divulgando o anime, por medo de serem confundidos com apologia ao nazismo. 

Por outro lado, muitos reclamam que a revista é “mal feita” ou “feita às pressas”, sem ver tudo o que os visitantes levam. Um exemplo: no ano passado, circulou um boato de que alguém estava dando “alfinetadas” em cosplayers e dizendo que a agulha “estava infectada”. Uma revista para achar objetos “normais” já levaria um bom tempo — é só lembrar da última vez que você tinha certeza de que algo estava na bolsa e teve que tirar tudo para achar… 

imagem utilizada gerada pelo Leonardo.AI

🏟️ No evento 

A segurança dentro do evento é uma questão complicada. Segurança não é barata. Mesmo quando o local cede os próprios seguranças (em geral, patrimoniais, que ficam no local quando fechado), eles são poucos — suficientes apenas para impedir acesso a pontos fechados, e muitas vezes nem isso. Alguns eventos contratam seguranças extras, mas muitos ficam exatamente na entrada, revistando os visitantes. 

Nem todos os locais dispõem de câmeras. Às vezes, as câmeras são apenas “ao vivo”, sem gravação, ou com gravações de curta duração (de 3 a 5 dias por ciclo). E, em muitos casos, a organização não tem acesso direto ou fácil às imagens — apenas algumas pessoas sabem operar o equipamento e, principalmente, conseguir copiar as filmagens. 

Outro agravante: grupos especializados em roubos durante shows e eventos têm se multiplicado. Isso já é uma realidade em festivais de música (BBCEstadão) e, agora, estão se aproximando dos eventos geeks. 

Aqui surge uma encruzilhada: ou os eventos aumentam a segurança — e, consequentemente, repassam esse custo aos visitantes — ou alguns podem desaparecer, ou ainda reduzir credenciais para cosplays e imprensa. Alguns sugerem usar voluntários para segurança, mas isso é complicado legalmente: em caso de altercações, pode gerar problemas jurídicos para a organização. 

Infelizmente, neste momento, o que podemos fazer é: 

  • Evitar largar objetos de valor em locais sem visão. 
  • Andar com mais de uma pessoa sempre que possível. 
  • Ficar atento aos arredores. 

Não é o ideal, mas é o que podemos fazer agora. 

💬 E você? 

Gostaria de poder apresentar soluções definitivas, mas só posso analisar um pouco o que está acontecendo e passar conselhos longe de perfeitos. 

Como você enxerga essa situação? O que você acredita que pode ser feito? 

Por questões legais, todas as imagens utilizadas aqui foram geradas pelo Leonardo.AI – uma plataforma de inteligência artificial voltada para criação de arte digital. 🎨🤖

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *