Por mais que as pessoas acreditem ter livre-arbítrio, as redes sociais acabam representando apenas parte do espectro da sociedade. Certos valores são mais rapidamente divulgados, visões polêmicas ganham destaque — para o bem, mas principalmente para o mal. Movimentos negacionistas, como o antivacina, tomaram os holofotes e já vemos os resultados, como o retorno do sarampo em várias partes do mundo.
Mas o que isso tem a ver com os grupos geeks? Mesmo entre nós, muitas vezes o algoritmo prioriza atitudes tóxicas para gerar engajamento.
🧠 O algoritmo e a ilusão de escolha
As redes usam o algoritmo como desculpa para justificar a distribuição de conteúdo. No entanto, quantas vezes você já percebeu que há meses não vê postagens de alguém que você segue — e ao verificar o perfil, descobre que a pessoa publicou diversos conteúdos que simplesmente não chegaram até você?
Isso acontece mesmo quando a rede oferece opções como “favoritos” ou “receber avisos de postagens”. O algoritmo não aparece do nada: ele é programado e treinado pelas próprias redes, com objetivos claros de retenção de usuários e aumento de tempo de tela. Tecnologias como scroll infinito, notificações frequentes e feeds personalizados são usadas exatamente para manter as pessoas conectadas o maior tempo possível.

💰 O negócio da polêmica
Há acusações de que diversas redes chegaram a convidar usuários polêmicos para se inscreverem em programas de pagamento, esperando que as opiniões por eles divulgadas aumentem o engajamento geral da plataforma — mesmo quando esses usuários enfrentam problemas jurídicos por suas afirmações anteriores.
Por exemplo, uma reportagem do Futurism aponta que a Meta estaria pagando para pessoas acusadas de opiniões nazistas postarem no Facebook:
👉 Futurism – Meta pagando nazistas para postar no Facebook
A lógica é perversa, mas eficaz: a polêmica gera discussões acaloradas, que se refletem em likes, comentários, contra-comentários e republicações — tanto de quem é a favor quanto de quem é contra. O resultado? O post se torna um “sucesso” em métricas de engajamento.
Isso também explica por que discursos de ódio, racistas ou fake news muitas vezes são denunciados por usuários, mas as redes respondem que o conteúdo não viola suas regras.

O Marco Civil da Internet original previa a retirada — obrigatória — apenas com ordem judicial. No entanto, em 2025, uma decisão do STF mudou esse cenário: posts claramente ilegais (racismo, discurso de ódio ou conteúdo falso) devem ser retirados assim que a plataforma for notificada, com exceção de crimes contra a honra*. Outra mudança importante é que conteúdos impulsionados (patrocinados ou automatizados) devem ser moderados ativamente pelas redes, sob pena de responsabilização. Mesmo assim, a resistência das plataformas tem sido frequente.
👉 *Injúria, calúnia e difamação.
📌 Entenda por que as redes agora respondem por conteúdos ilegais
⚖️ Liberdade de expressão como escudo
Algumas redes utilizam a liberdade de expressão como desculpa para permitir publicações ilegais em alguns países ou descumprir ordens judiciais.
Recentemente, a Meta — empresa que controla WhatsApp, Facebook e Instagram — fechou um acordo de quase US$ 18 bilhões com 29 estados americanos. O processo acusa as plataformas de contribuir para a dependência digital entre crianças e adolescentes, além de violar leis de proteção infantil e coletar indevidamente dados pessoais. E este acordo vai aumentar a pressão de outros países para uma mudança similar na prestação de serviços neles.

🧒 O acordo da Meta nos EUA
Além do pagamento, o acordo prevê, para usuários menores de 18 anos:
- Limite diário de 2 horas (só pode ser desativado pelos pais).
- Bloqueio noturno entre meia-noite e 6h (também só desbloqueado por responsáveis).
- Bloqueio de notificações entre 22h e 7h, e durante o período escolar.
- Mecanismo aprimorado de denúncia — com 90% das denúncias respondidas em até 6 horas.
- Proibição de exibição de número de curtidas e reações para adolescentes.
- Proibição de filtros estéticos que alterem a aparência.
- Melhoria nos mecanismos de verificação de idade e exclusão de contas de menores de 13 anos.
📌 Por enquanto, essas medidas valem apenas nos EUA.
👉 BBC – Acordo da Meta nos EUA
🌍 O apelo da UNESCO por regulação global
Desde 2023, a UNESCO defende uma maior regulamentação das redes sociais em todo o mundo. Após 18 meses de consulta em 134 países, com mais de 10.000 contribuições, a organização propôs medidas que visam:
- Proteger a liberdade de expressão.
- Controlar as fake news e o discurso de ódio.
- Garantir maior transparência sobre os algoritmos.
👉 UNESCO – Regulamentação das redes sociais

📜 Os 7 princípios da UNESCO para regulamentação
- Processo de decisão considerando os direitos humanos em todas as fases.
- Reguladores públicos e independentes em todo o mundo.
- Evitar que empresas digitais usem diferenças legais entre países a seu favor.
- Tornar viável e eficaz a moderação de conteúdo em larga escala, em todos os países e idiomas.
- Algoritmos transparentes e responsáveis — evitando que o engajamento seja mais importante que a correção das informações.
- Ações educativas e de treinamento para os usuários.
- Medidas mais fortes durante crises e eleições, onde uma fake news pode transformar resultados.
💬 E aí, o que vocês acham?
Essas medidas vão tornar as redes mais seguras para crianças e adolescentes? Diversos países têm criado legislações similares, e a UNESCO tem um plano ainda mais restritivo, alcançando todos os usuários.
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